404 ERROR

Leilão de Imóveis

Dia do Leiloeiro (19 de outubro): como a tecnologia transformou a profissão

Do auditório ao leilão eletrônico, a profissão regulamentada há 94 anos ganhou alcance e novas responsabilidades. A advogada Luíza Míccoli (*) reflete sobre essa transformação.

O Dia do Leiloeiro é celebrado em 19 de outubro porque, nessa data, em 1932, foi publicado o Decreto nº 21.981, que regulamentou a profissão no Brasil.

Quando pensamos na figura do leiloeiro, é muito comum que ainda venha à memória a imagem daquele profissional à frente de um auditório, conduzindo uma disputa, anunciando valores e aguardando o próximo lance. Mas a verdade é que essa profissão, tão tradicional e importante para o mercado, passou por transformações significativas nos últimos anos. A tecnologia modificou não apenas a forma como os leilões são realizados, mas também a maneira como os imóveis são apresentados, como os interessados participam das disputas e, principalmente, como o próprio leiloeiro desenvolve sua atividade.

A realização dos leilões eletrônicos rompeu barreiras geográficas e ampliou o acesso a oportunidades que, anteriormente, estavam muito mais concentradas em determinados públicos e regiões. Hoje, um interessado pode participar de uma disputa por um imóvel localizado a milhares de quilômetros de distância, sem precisar sair de casa. Essa facilidade também trouxe novos perfis de compradores, desde investidores experientes até pessoas que enxergam nos leilões uma possibilidade de aquisição da casa própria. Mas existe um ponto que considero importante destacar: a facilidade de acesso não significa, necessariamente, facilidade na compreensão de tudo aquilo que envolve uma arrematação.

E não foram apenas os compradores que se beneficiaram dessa evolução. Os avanços tecnológicos também ampliaram a visibilidade, o alcance e o reconhecimento dos leiloeiros. Portais e plataformas que reúnem oportunidades de todo o país passaram a levar o trabalho desses profissionais a um público muito maior, facilitando o encontro entre os imóveis disponíveis e quem deseja arrematar. Mais do que simplificar a busca, esse movimento aproxima os leiloeiros do público, amplia o conhecimento sobre a atividade e fortalece a presença desses profissionais em um mercado cada vez mais conectado.

Ao longo da minha trajetória profissional, tenho acompanhado de perto essa evolução e percebo que a tecnologia também trouxe novas responsabilidades aos leiloeiros. Já não basta disponibilizar um imóvel em uma plataforma e aguardar os lances. É preciso investir em ferramentas, estrutura, segurança da informação, publicidade e, sobretudo, na qualidade das informações apresentadas aos interessados. E vou além: os profissionais que realmente se destacam são aqueles que compreenderam que a modernização não está apenas na forma de realizar o leilão, mas na maneira de conduzir todo o procedimento, conhecendo os ativos, compreendendo as expectativas dos comitentes e contribuindo para que a alienação alcance seu efetivo resultado. Afinal, a tecnologia pode tornar os procedimentos mais ágeis e acessíveis, mas não elimina os riscos jurídicos, tampouco substitui o conhecimento, a responsabilidade e o comprometimento daqueles que atuam nesse mercado.

Para o Dia do Leiloeiro, mais do que reconhecer uma profissão tradicional, acredito que devemos valorizar a capacidade desses profissionais de acompanhar as transformações de um mercado cada vez mais dinâmico, sem perder de vista a seriedade e a responsabilidade que a atividade exige. Aos leiloeiros que investem, se atualizam e compreendem a importância de seu trabalho para a confiança de quem vende e de quem compra, deixo meu reconhecimento e minha admiração. Que os avanços tecnológicos continuem contribuindo não apenas para ampliar as oportunidades de negócios, mas também para fortalecer a valorização e o reconhecimento dessa profissão. Afinal, a tecnologia transformou a forma de realizar leilões, mas são as pessoas, com seu conhecimento, ética e comprometimento, que continuam fazendo a diferença para a credibilidade e a evolução desse mercado.

*Luíza Míccoli é advogada especialista em leilões imobiliários, presidente da Comissão de Leilões da Regional Sudeste da Associação Brasileira de Advogados, e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Leilões de Imóveis.